Você realmente sabe qual é o verdadeiro propósito da claquete? Se você respondeu que sim, é para tirar fotos com ela para postar nas redes sociais com a legenda “hoje é dia de ação”, sinto lhe dizer que você está um pouco errado jovem mancebo. 

Podemos arriscar dizer que a claquete é uma das primeiras migués da história do cinema. A claquete foi inventada por F. W. Thring, que é ninguém menos que o chefão dos Estúdios Effee. E pra quem vê de primeira vez a claquete até se assusta com tantas informações contidas nela mas que apenas servem para auxiliar a equipe de produção do filme tanto na hora da gravação quanto para a hora da pré. Alias, muito mais para a hora da pré-produção.

Quando gravamos um filme, tanto as imagens captadas quanto o áudio, são gravados separadamente, com equipamentos diferentes e por pessoas diferentes, certo? E na hora de editar, como saber naquele monte de arquivos de áudio e de vídeo, qual corresponde com qual? Ai que a claquete entra em ação. As informações contidas nela estão lá para auxiliar essa procura.

O editor simplesmente tem que olhar o vídeo escolhido, ler as informações na claquete, tipo o plano da cena, se é o take que foi validado (com auxilio de um documento do próprio diretor com os takes que ele validou) e da cena rodada. Assim como outras informações contidas, como o código daquele vídeo que toda câmera gera quando grava um arquivo assim como o código do áudio gravado naquele instante, nome do filme, do diretor, produtor, diretor de fotografia, e etc.

 

Mas no fundo, mesmo que imperceptível, ainda existe uma segunda função para a nossa queria Craquete. Lembra que no começo dissemos que a claquete foi uma das primeira migues do cinema?

Você já tentou sincar (sincronizar) um vídeo com um áudio que foi gravado separadamente? Não? Então parabéns, te invejo...

A claquete tem exatamente essa função de ajudar a sincar os arquivos através daquela batida que o A.D (Assistente de direção) da de frente da câmera após falar algumas informações. Olha ai, e você achando que era só charme bater a craquete....

Com essa batida, o editor consegue enxergar no arquivo de áudio onde teve um pico alto de som e sincronizar com o vídeo no momento exato que o A.D bateu a claquete. Porém, existem programas de edição hoje em dia que conseguem facilitar esse sinc combinando os picos de áudio com o vídeo em si.

E agora eu sei o que você vai perguntar, mas e antes? Como faziam com tudo isso sem a invenção da claquete?  Nos primórdios mais escuros do cinema, uma pessoa segurava somente a placa para as câmeras com as informações da cena, enquanto outro ‘batia’ duas varas juntas na frente da câmera para ter o som de “palmas”.

  E o que podemos tirar de conclusão disso? Que a combinação das duas coisas em um só objeto fez com que o “batedor de varas” fosse demitido, infelizmente... BUT, segue o baile.

Como dissemos antes, hoje em dia, com o avanço da tecnologia, muitas das grandes produções passaram a utilizar “digislates” ou “smart slates”. O visor das claquetes é em LED, e um timecode é gerado através do gravador de áudio. Os dois são sincronizados e a placa só é mostrada para a câmera antes de uma cena começar a ser filmada, para que os editores encontrem o mesmo ponto no filme e nas trilhas de áudio. Infelizmente, sem o característico som de “palmas”.

Mas ai te pergunto, e qual é a graça de não ter a batida? Existem coisas que nunca devem ser excluídas ou esquecidas, ainda mais no nosso mundo da sétima arte. A claquete junto com suas “palmas” é um dos objetos essenciais na gravação de um filme, assim como o café e a fita crepe. E se você não usar a claquete no seu filme e corretamente, te desejo mil anos de azar e que sua diária atrase....

 

Gostou do post? Aprendeu para que serve nossa querida craquete? Então não esquece de compartilhar com os amiguinhos e nos seguir nas nossas redes sociais para você não perder nenhum post e de quebra ainda dar uma olhada no que nós da DOT andamos fazendo na área do audiovisual.

 

E por fim te pergunto... Foi som? Foi câmera? Vai claquete e AÇÃO!